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No dia 13 de outubro, o mundo celebra o Dia internacional para a redução de desastres naturais, uma data instituída pela ONU em 1989 para conscientizar sobre a importância de prevenir e mitigar desastres. Ao longo dos anos, as mortes causadas por esses eventos diminuíram significativamente, graças a avanços em infraestrutura, sistemas de alerta e educação comunitária. No entanto, o aumento das temperaturas extremas e o impacto das mudanças climáticas continuam a ameaçar a segurança global, exigindo investimentos contínuos em resiliência e adaptação.

Histórico e objetivos

Originalmente criada para enfatizar que desastres não são completamente inevitáveis, a data incentiva governos e comunidades a adotarem medidas preventivas. Um ponto de referência é o Marco de Sendai para Redução de Riscos de Desastres (2015-2030), que guia as ações globais em quatro áreas: compreensão dos riscosgovernança de desastresinvestimento em resiliência e resposta e recuperação.

O tema do Dia Internacional de 2024 ressalta o papel essencial da educação na proteção e empoderamento da juventude, destacando que, ao preparar as novas gerações, estamos criando um futuro mais resiliente.

Tendências e desafios emergentes

Nas últimas décadas, observou-se uma queda nas mortes causadas por desastres como inundações e secas. Esse progresso deve-se principalmente aos avanços nos sistemas de resposta rápida e na conscientização pública. No entanto, há um aumento nas mortes causadas por temperaturas extremas, como ondas de calor, devido às mudanças climáticas e à vulnerabilidade de grandes áreas urbanas ao fenômeno das ilhas de calor.

Além disso, um dos desafios apontados pelos especialistas é a subnotificação de desastres menores ou em países de baixa renda, o que distorce a percepção global de riscos e dificulta a alocação de recursos adequados. Isso exige um aprimoramento na coleta de dados e na transparência das informações para uma resposta mais eficiente e equitativa.

 

Desafios climáticos do Brasil: enchentes, secas e a busca por resiliência 

O Brasil, com sua grande diversidade geográfica e climática, enfrenta desafios únicos quando se trata de redução de desastres naturais. O país é frequentemente impactado por enchentes, deslizamentos de terra, secas e, mais recentemente, por eventos de temperaturas extremas, como ondas de calor. As regiões mais afetadas incluem o Nordeste, que sofre com a seca prolongada, e os centros urbanos densamente povoados, como Rio de Janeiro e São Paulo, que enfrentam enchentes e deslizamentos de terra durante as temporadas de chuvas intensas.

Segundo dados da Defesa Civil Nacional, os desastres mais comuns no Brasil são as inundações e os deslizamentos, especialmente em áreas onde a ocupação irregular e a falta de planejamento urbano contribuem para o agravamento dos impactos. Esses desastres resultam em perdas materiais significativas e, em muitos casos, perdas de vidas, com comunidades de baixa renda sendo as mais vulneráveis.

No Brasil, um dos maiores desafios é a falta de investimento em infraestrutura resiliente, bem como a preparação inadequada das comunidades para responder a desastres. Embora existam sistemas de alerta precoce, especialmente em áreas de risco de deslizamento e enchentes, ainda há muito a ser feito para garantir que as populações mais vulneráveis tenham acesso a medidas de mitigação e adaptação eficazes.

Dados relevantes  

  • Entre 2000 e 2021, o Brasil registrou quase 18 mil eventos de desastres naturais, afetando mais de 96 milhões de pessoas;
  • O Nordeste sofre regularmente com secas severas, enquanto as regiões Sudeste e Sul enfrentam episódios recorrentes de enchentes e deslizamentos;
  • O Brasil tem um dos maiores programas de defesa civil da América Latina, mas enfrenta desafios com o financiamento e a capacitação local.

A importância da resposta a emergências 

O gerenciamento de desastres passa por duas etapas essenciais: resposta emergencial e adaptação a longo prazo. Processos eficientes de resposta imediata, como sistemas de alerta precoce e coordenação entre agências governamentais e civis, têm se mostrado fundamentais para salvar vidas em eventos como furacões e terremotos. Entretanto, é crucial que o foco vá além da resposta e inclua a adaptação contínua às novas ameaças climáticas. Políticas de urbanização sustentável, infraestruturas resilientes e planos de emergência adequados são partes indispensáveis dessa equação.

A questão do financiamento 

Um ponto central em qualquer estratégia de redução de desastres é o financiamento. Apesar dos avanços, as regiões mais vulneráveis, muitas vezes nos países em desenvolvimento, ainda sofrem com a falta de recursos para implementar as medidas preventivas necessárias. O financiamento sustentável para projetos de resiliência precisa ser priorizado, especialmente no contexto do crescente impacto das mudanças climáticas. Investir em sistemas de alerta precoce, infraestrutura adaptativa e educação é essencial para proteger vidas e meios de subsistência.

O caminho para o futuro 

O Dia Internacional para a Redução de Desastres Naturais é mais do que uma data comemorativa: é um chamado à ação. Ao refletirmos sobre os progressos feitos na redução das mortes por desastres, também devemos reconhecer os desafios que ainda estão por vir.

A resiliência climática, o fortalecimento dos sistemas de resposta emergencial e o financiamento de projetos adaptativos são essenciais para proteger as gerações futuras. E, ao educar e empoderar os jovens, como destacado no tema de 2024, estamos construindo a base para um futuro mais seguro e sustentável.

Henrique Dorna Dutra – Consultoria ESG

Ludmilla Correa Pereira Silva – Consultoria ESG