3 motivos pelos quais sua estratégia de gestão de Qualidade e Segurança de Alimentos está falindo (e como consertá-la).

Mesmo perante a uma sequência atual (de já históricas) crises econômicas, no Brasil e no mundo, um fato segue constante: o setor de alimentos continua a crescer.

Este desenvolvimento, porém, vem esbarrando em sérios problemas ocasionados pela ausência de uma austera cultura de planejamento e prevenção.

Assim, em um cenário em que a redução de custos tornou-se palavra costumeira nas organizações, as indústrias e empresas do segmento de alimentos seguem cometendo equívocos basilares que diminuem seus lucros e consequente seu crescimento. Tais desacertos perpassam um ponto em comum: a legislação brasileira. Abaixo listamos como este problema se revela:

Ausência de conhecimento da legislação aplicável à fabricação do produto:

O Brasil ainda é um país que segue o nível da ordem, da adequação social, do certo e errado. Esta constatação, por sua vez, se reflete em nosso ordenamento jurídico forçando a publicação sistemática de uma grande quantidade de leis.

Todavia, as empresas possuem uma acentuada dificuldade em saber qual o requisito legal a se cumprir sobre um determinado produto/processo, e, mais que isso, em como garantir seu atendimento.

Esta ausência de ciência de regras básicas, especialmente em um segmento tão específico, gera falta de gestão o que atrai o segundo grande problema: a inserção no mercado de produtos que não atendem a legislação de qualidade e segurança de alimentos.

Danosidade dos produtos, das suas informações e suas consequências:

Quando o assunto é legislação de qualidade e segurança dos alimentos o não atendimento ao comando normativo pode desencadear uma sequência catastrófica. Em termos práticos, existem muitas normas específicas para cada alimento, para sua embalagem, para seu transporte, etc.

Por sua vez, se este encadeamento legal não é observado a empresa, eventualmente, colocará no mercado produtos nocivos à saúde da população ou com a ausência de informações importantes em suas embalagens, p. ex.

Esta situação atrai a postura cogente do Estado que reage com severas multas, sanções e penalidades. Não bastasse isto, o mercado consumidor responde bruscamente a tais informações, e a partir do medo gerado é desencadeado o abalo da marca. Fato é que nas duas primeiras situações torna-se possível apresentar uma estimativa do prejuízo, mas o dano à imagem da empresa, um dos seus maiores bens, pode ser incalculável e irremediável.

Ausência de uma comunicação segura e rápida ao mercado consumidor:

A rastreabilidade e avaliação da conformidade legal permitem à empresa uma clareza sobre o local e motivos do acometimento da falha. Possibilitam ainda determinar se de fato ela aconteceu e se esta encontra-se verdadeiramente atrelada ao processo fabril. É sabido que circunstâncias outras podem gerar danos à população que não estejam envolvidas com a elaboração e distribuição do produto. Entretanto, se a empresa não conhece, audita e faz a gestão de seu requisito legal, sua comunicação com o mercado, em casos de incidentes, restará extremamente prejudicada.

Tais situações mostram-nos que a ausência da prevenção faz com que o dinheiro dos investidores se esvaia. É preciso mudar o olhar, tomar outras perspectivas e entender que ausência de investimentos na conformidade da legislação de qualidade e segurança de alimentos inevitavelmente, uma hora, acarretará um custo exponencialmente maior à empresa, seja com multas, perda de lotes de produtos fabricados ou com a diminuição de vendas em razão do descrédito gerado.

Para começar a consertar estes equívocos a empresa precisa acompanhar e conhecer as obrigações legais a serem atendidas, possuir medida que possibilite uma gestão que prioriza o atendimento das normas que apontam maior risco à sua gestão e avaliar, constantemente, seus processos, gestão e produtos.

Josiane Fernandes – OAB/MG 132.958 – Sócia /Consultoria Jurídica da Âmbito Homem e Ambiente.