Um copo de educação, por favor!

A escassez de ser trouxe a escassez no ter. Para início de conversa, a afirmativa me convence!

Na sociedade atual as situações de escassez estão incorporadas ao dia a dia da população. Há muito a crise hídrica vem sendo anunciada, mas por poucos foi levada a efeito: os movimentos com a intenção de contê-la ou até mesmo evitá-la não se firmaram, e as piores previsões começam a se concretizar.

A crise do ambiente (inteiro e não meio!) é antes de tudo uma crise do ser: uma questão do comportamento humano que ignora aquilo que lhe parece não atingir de forma imediata.

O pensamento de longo prazo, a tomada de perspectiva e o planejamento não são traços característicos de grande parte da população brasileira. O que impera de maneira mais contundente é o imediatismo avassalador de uma nação que, ainda jovem, caminha como se o tempo estivesse a seu favor.

Agora, some a descrição apresentada a uma sociedade cada vez mais individualista, onde a noção de coletividade se afasta cada vez mais do comportamento humano: nos falta, além de água, amadurecimento da cidadania.

Assim viver em um mundo em que a sustentabilidade é questão de primeira ordem, posto à característica de bem de uso comum atribuída ao meio ambiente, parece ser bastante contraditório quando lançamos o olhar aos sujeitos que integram essa realidade.

O posicionamento do homem em relação à questão ambiental ainda é bastante individualista. O senso coletivo não “vingou” e o benefício próprio ainda se sobrepõe ao interesse coletivo. Aliado a este fato, ou poderíamos dizer que em consequência dele, temos uma sociedade que faz pouquíssimas conexões entre o seu agir no mundo e as reações da natureza, condição que nos leva a entender o porquê da não-assimilação dos aparatos de promoção, preservação e proteção ao meio ambiente.

Mesmo com a ampliação do conceito de meio ambiente, mais compatível com a nova sociedade, o homem não se coloca como sujeito participativo nas propostas de soluções para a problemática ambiental. Um exemplo simples pode demonstrar a baixa assimilação entre o seu agir humano e a degradação ambiental. É sabido que a água é um recurso natural de importância vital para a raça humana, ora sendo utilizada para a dessedentação, ora para a higiene, dentre outras finalidades. Ocorre entretanto que, ao fazer o uso excessivo e inconsequente deste bem, o sujeito nega a finitude deste recurso natural, não correlacionando o seu agir ao processo, cada vez mais crescente, de escassez hídrica.

Então vocês leitores podem estar se perguntando: qual o caminho que deve ser percorrido? Realmente não saberia dizer uma resposta pronta, contundente e determinista, afinal de contas, o caminho esta no caminhar. Porém, acredito que o melhor cajado para amparar o caminhante é a educação.

Na minha modesta (e ainda em formação) opinião nada que se pretenda fazer a fim de reverter o quadro da escassez dos recursos naturais, com destaque para a ÁGUA, poderá estar dissociado de práticas educativas que propiciem um comportamento sustentável, auto monitorado do cidadão, transformando-o em sujeito cocriador e participativo das decisões que o afetam.

Para mim é cristalina a indissociabilidade entre o comportamento humano e os problemas ambientais. Acredito na educação ambiental como instrumento capaz de derrubar o pensamento cartesiano de que o homem está em um local e o meio ambiente em outro. A interdisciplinaridade que permeia os assuntos ambientais deve recair sobre as ações governamentais. Entender que tudo está conectado entre si promoverá uma mudança no comportamento da sociedade, construindo e fortalecendo compromissos socioambientais.

Nas palavras sábias do educador Paulo Freire é possível sintetizar (e não simplificar!) a ideia central proposta neste breve compartilhamento de ideias sobre papel da educação ambiental na preservação dos recursos para a vida: “se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”

Iracema Padovani   Advogada (OAB/MG 109.696), responsável pela área de Comunicação e Gestão de Desenvolvimento Humano da Âmbito.