LIDERANÇA DE NEGÓCIOS COM QUALIDADE

Lideranças de negócios só são lideranças se forem lideranças de negócios…. Dito assim, soa muito óbvio, eu sei, mas infelizmente o óbvio normalmente precisa ser dito. Isto porque só é “óbvio” para quem está dizendo, não sendo, portanto, “verdade”. Mais ainda, o “óbvio” precisa ser entendido e compreendido.

Como pode uma pessoa pensar que é líder só de pessoas, de relacionamentos, por exemplo? Ou líder de processos? Ou líder estratégico? Ou líder financeiro? Ou líder de inovação? Ou de mudança? Um negócio é algo uno, único, e suas diversas dimensões, facetas, interações, etc. precisam ser tratadas de modo orgânico, sistêmico, sistemático, integral – a palavra que cada um prefira.

A liderança em geral, e particularmente a alta liderança das organizações, tem a obrigação inafastável e indelegável de desenvolver um pensamento, uma abordagem e uma ação que levem em conta aqueles diferentes elementos do negócio. Sim, porque o negócio, aquilo a que a organização se dedica por sua vocação interna e pela oportunidade ou chamado externo, é o conjunto orgânico de todas aquelas dimensões.

Tenham ou não uma gestão mais sistematizada – um sistema de gestão – as organizações todas, ou pelo menos aquelas dirigidas por lideranças que já são capazes de pensar o negócio com mais alcance que apenas satisfação de interesses pessoais à custa de outros interessados – almejam servir seus clientes. Sabem que os clientes são grande parte da razão de ser do negócio. Assim, desejam servir bem a seus clientes. E para que isto ocorra, é indispensável que suas lideranças compreendam isto, encarnem isto como sua visão das coisas e do negócio. Não é possível existirem organizações voltadas para as necessidades de seus clientes com líderes voltados para as suas próprias necessidades. Ponto. Isto porque as organizações refletem, mais que outros fatores, o “jeitão” de suas lideranças. Pessoas autocentradas são líderes autocentrados, e suas organizações também o serão.

Como os líderes demonstram seu comprometimento (valor) e envolvimento efetivo (comportamento) com a qualidade que os clientes querem, sem esquecer outros objetivos de negócio? Fazendo com que os clientes e outros sujeitos legítimos de interesses ou direitos (investidores, a equipe interna, etc.) façam parte da visão, do propósito (ou missão), do pensamento e da ação estratégica. Mais ainda, que eles sejam parte da gestão do dia a dia, através de políticas, objetivos, processos, cultura e equipes orientados para suas necessidades. Existe alinhamento entre Visão, Estratégia e Política de Qualidade? Há recursos para promoção da qualidade? As pessoas falam a respeito em reuniões e no dia a dia? E os líderes? Há instrumentos práticos (procedimentos, comunicação formal) da organização que não deixam dúvida sobre a opção feita pela alta liderança de que o negócio e a qualidade andem juntas? Percebe-se uma cultura de excelência e de resultados voltada aos clientes e aos interesses de negócio? Há indicadores, e eles refletem os objetivos de negócio e os interesses dos clientes, além do bem-estar da própria equipe interna? Há preocupação com o futuro e a sustentabilidade do negócio, através de uma postura estratégica ativa, atenta a oportunidades e riscos, bem como à inovação?

Parecem muitos itens, mas na verdade se trata de ter visão integrada e ação integrada, para que uma mesma ação, derivada de visão e valores claros, gere diversos resultados ao mesmo tempo. Para que não haja desperdício de tempo, de recursos, de vida. Para que a cultura, de modo sutil, reflita e alimente os comportamentos e estruturas que apoiam e reproduzem valores, ações, etc. orientados para um negócio saudável, um ambiente organizacional construtivo e relações internas e externas claras, produtivas, valorosas.

Se isso tudo é responsabilidade apenas das lideranças? Claro que não. As pessoas, apoiadas por um contexto vivo, orgânico, positivo, precisam se interessar, ter atitude interna de curiosidade e desenvolvimento, iniciativas, ofertas de soluções para os inúmeros problemas. Colocar seus valores para fora. Tudo isto está claro.

Só o que não vai acontecer é o milagre de as pessoas sem autoridade realizarem aquilo que os que têm autoridade não apoiam, não querem – ou querem apenas no discurso. Ser líder não é ser super-homem ou supermulher. É ser exemplo de atitude de desenvolvimento – de si, das equipes, dos processos, das relações, dos produtos, dos serviços, de tudo. O negócio é a liderança de qualidade.

Marcelo Eduardo de Souza, fundador e Líder da Âmbito Homem & Ambiente desde 1994. Vê os empreendedores como vitais para criar um mundo sustentado em valores éticos, contribuição e inovação. A partir de sua experiência e formação, vem desenvolvendo programas práticos de mudança pessoal e organizacional baseados em “Integral Coaching”e Educação.