Educação nas Empresas: Florescimento ou Adestramento?

A educação facilita em cada pessoa a expressão do que nela pode haver de melhor. Ela é um processo vivo de relacionamentos, conteúdos, estímulos e condições para que os potenciais humanos (cognitivos, práticos, corporais, emocionais, afetivos, interpessoais, etc.) aflorem, floresçam e frutifiquem. Ela é fundamental em qualquer coletividade, e não pode ser diferente nas empresas.

Porque empresas são criadas por pessoas (não por equipamentos ou máquinas), o que uma empresa pensa ser e busca é determinado por seus fundadores e seus líderes. Dado que líderes querem que outras pessoas os sigam em seus sonhos e objetivos, a melhor forma de as pessoas os acompanharem é acreditando neles e compartilhando sua visão, seus sonhos e objetivos – na medida do possível. (Disso sabemos: uma coisa é trabalhar para pagar as contas; outra é sonhar junto, acreditar e ter brilho nos olhos).

O melhor que líderes podem fazer é ser exemplos daquilo que dizem e ter coragem de estabelecer condições para o florescimento de pessoas aptas a contribuir para o entendimento e o aproveitamento do ambiente de negócios.

Incorporar um “perfil educador” na bagagem de liderança é uma boa aposta.

Dado o problema das boas intenções, importante é entender o que “educação na liderança” não é: não é adestrar pessoas; não é se passar por perfeito; não é criar “seguidores” ao estilo “penso com seu cérebro”. Não é estimular a omissão da crítica e o ambiente “harmonioso” cujos substratos são a mediocridade e a representação.

Para ser instrumento do desenvolvimento do outro, é preciso ter humildade de perceber que se é instrumento do crescimento do outro. Porque o sujeito é o outro – e ele é, portanto, responsável. É imperioso desenvolver lucidez para perceber onde as pessoas estão em seu desenvolvimento, mas não as idealizar.

Há que ter coragem de perceber em si a vaidade, os medos, as limitações e tudo mais. Há que ter clareza: de que as outras pessoas também têm ilusões, limitações, medos, etc. É preciso criar confiança. Líder pra valer é confiável, embora admitidamente falível. E líder mesmo é exemplo porque continua tentando, estação após estação, cultivar o que quer, em si e fora de si. “Só aos poucos é que o escuro é claro”, ensinou Guimarães Rosa.

Bem escondida sob o verniz do discurso de “educação”, está a “tentação” do adestramento. Ela é buscar “consertar” as pessoas para que sejam como eu quero, não como elas podem ser. É até o simples “enquadrar” – nos moldes do que serve a propósitos pessoais.

Mas, e quanto ao negócio? Não entra na educação na liderança? Não nos iludamos: os objetivos coletivos – da organização onde estamos, da empresa que nos paga e nos acolhe em seu propósito de desenvolvimento – contam e norteiam a educação na liderança. Sem isso, a “educação” não é adestramento, mas também não é educação – é deseducação.

Marcelo Eduardo de Souza, fundador e Líder da Âmbito Homem & Ambiente (desde 1994) e da EcoNoética Educação e Desenvolvimento (www.econoetica.com.br). Vê os líderes e empreendedores como vitais para criar um mundo sustentado em valores éticos, contribuição e inovação. A partir de sua experiência e formação, vem conduzindo programas práticos de mudança pessoal e organizacional baseados em “Integral Coaching”e Educação.