CORRUPÇÃO EMPRESARIAL: QUEM TORNA UMA EMPRESA CORRUPTA?

Ética Empresarial (PARTE II: AS LIDERANÇAS DA EMPRESA)

Se é verdade que as empresas podem cumprir um bonito papel na transformação positiva da sociedade, pois são modelos, também é que os líderes das empresas precisam ser educados e reeducados para compreender a si mesmos e ao mundo a partir de perspectivas mais corajosas, amplas e generosas, portanto, menos egoístas.

As empresas não são seres acéfalos. Ao contrário, têm pessoas reais que as comandam. A forma como os líderes comandam – a partir de suas crenças, de seus comportamentos e de seus indicadores pessoais implícitos ou explícitos – vai ser determinante para a imagem e o comportamento internos e externos da empresa.

O que veem os líderes da empresa quando olham para si mesmos? Garotos e garotas prodígio, que precisam mostrar seu valor através de subidas meteóricas na carreira? Modelos de sucesso que devem posar, com caras sisudas ou sorridentes, nas capas das revistas de negócios?

Como veem a seus pares? Competidores que precisam ser superados? Obstáculos? Como veem as pessoas que co-criam a empresa? Números? Detalhes de uma máquina? Mãos e braços que operacionalizam o que o seu Grande Cérebro pensou, do alto de sua incomparável sabedoria?

Como veem os clientes? Outros “detalhes”, de onde é preciso tirar o dinheiro? E os concorrentes? Competidores que é preciso eliminar?

Os comportamentos advindos de tais maneiras de ver, ainda que escondidos sob qualquer verniz de amabilidade, fala baixa e macia, roupas e aparência impecáveis, são conhecidos: desconsideração pelas pessoas, competitividade, insensibilidade. No limite (nem tão no limite assim), comportamentos que podem ultrapassar bastante a tênue linha que separa o ético do imoral. “Bons relacionamentos” para ganhar favores; falseamento de dados, propinas…

O coroamento vem nos indicadores pessoais, refletidos muitas vezes nos da empresa: o ser chamado de “doutor”; o ganho pessoal maximizado, a sensação de ser inatingível. Capas das revistas, palestras, bônus…

“Equipes” de líderes que pensam, agem e buscam resultados assim se tornam verdadeiros monstros policéfalos que lutam entre si. As empresas que eles criam, tristes locais doentes.

Eis então a corrupção, o desvio do ético, o patrocínio de interesses pessoais aliados aos institucionais, com nome, sobrenome e endereço. De tal sorte que não há palavras que possam ser duras demais para descrever o que podemos ser e fazer como líderes se optarmos apenas por “seguir o rebanho”.

Mas aí vêm as desculpas. Já que no fundo “todos agem assim”, por que não eu? Serei visto como peixe fora dágua? Então, me enquadro. O mundo é assim mesmo, e sempre foi, e sempre será. Eu faço cumprir a profecia.

É preciso coragem pessoal para encarar os efeitos de tais modos de ser como líder empresarial. Sim, porque a integridade pessoal é um ato de coragem. Coragem de ver, agir e buscar resultados diferentes. Como? Mais abrangentes, incluindo e indo além do que há de saudável e justo no modo “tradicional” de ser. Beneficiando mais. Investidores tendo o que é seu de direito, mas não a qualquer custo. Clientes felizes servidos por equipes orgulhosas de seus méritos e princípios.

A coragem há de vir com método e persistência: no “piloto automático”, o líder e o mundo estão programados para se manter imutáveis. E é aí que o líder de novas possibilidades demonstra seu valor – que tem a ver com o que ele é capaz de promover para os outros, sem se esquecer de si. Um líder cujos indicadores pessoais passam a incluir mercados inovadores e favorecimento do progresso humano. Que se transforma enquanto ajuda o mundo a ser mais inclusivo. Que no fundo é um “aprendiz teimoso” que insiste em ser sujeito de sua história e da reescrita, mais bela, justa e generosa, da presença humana na terra.

Marcelo Eduardo de Souza, fundador e Líder da Âmbito Homem & Ambiente (desde 1994) e da EcoNoética Educação e Desenvolvimento (www.econoetica.com.br). Vê os líderes e empreendedores como vitais para criar um mundo sustentado em valores éticos, contribuição e inovação. A partir de sua experiência e formação, vem conduzindo programas práticos de mudança pessoal e organizacional baseados em “Integral Coaching”e Educação.