Controle da Poluição por Agrotóxicos: o despertar da consciência ambiental

No dia 11 de janeiro comemora-se o Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos. A data é utilizada para aumentar a conscientização da população quanto aos riscos do uso indiscriminado dos agrotóxicos e dos problemas que estes causam ao meio ambiente e à saúde humana.

Ao abordar tal questão, imperioso se faz o regaste de uma obra literária, que mesmo após 55 anos, ainda se destaca pela extrema importância para as discussões sobre a questão ambiental em todo planeta: Silent Spring, em português, Primavera Silenciosa, da escritora norte-americana Rachel Carson.

Neste livro, um clássico do movimento de defesa do meio ambiente, a bióloga Carson denuncia os graves tipos de contaminações causadas pelo uso desenfreado de agrotóxicos. Mais do que isso: o livro é uma denúncia ao comportamento humano em relação à natureza, que a utilizava (podemos dizer que ainda a utiliza) de forma inconsequente e mercadológica.

A obra de 1962 desencadeou uma série de discussões sobre a indústria química e o impacto que esta causava ao meio ambiente, inserindo neste contexto, de forma bem contundente, o homem. O descortinar de tal problemática proporcionada (Poluição por Agrotóxicos) pelos estudos da autora não foi nada fácil: afrontar o interesse de um grupo econômico tão forte lhe fez ser a parte mais frágil desta luta.

À época, o porta-voz da associação das indústrias químicas dos EUA, Robert White-Stevens, desabonou de maneira veemente a publicação da obra: “Os mais importantes argumentos da senhora Rachel Carson são grossas distorções da verdade, completamente sem suporte científico, evidência experimental e práticas gerais de trabalho de campo. A sugestão dela de que os pesticidas são de fato biocidas destruindo toda vida é obviamente absurda… Se alguém seguir os ensinamentos de senhora Carson, vamos voltar à Idade Média, e os insetos, doenças e vermes voltariam a herdar a Terra”.

A distorção orientada de seus estudos não impediu, porém, que o DDT e outros inseticidas fossem finalmente banidos depois de investigações mais rigorosas, tendo a indústria química americana que renomear os pesticidas para “defensivos agrícolas”. O presidente John Kennedy ficou tão impressionado com o livro que mandou abrir investigações federais, seguidas por audiências no senado americano. A EPA, a agência ambiental americana, surgiria somente em 1972, graças, justamente às denúncias expressivas de Rachel.

Infelizmente, ela não pode assistir a vitória de sua obra, que instigou a militância ecológica em todo planeta. Rachel morreu dois anos depois de finalizar seu principal livro. A Escola de Jornalismo de Nova York considerou a Primavera Silenciosa uma das melhores reportagens investigativas do século XX. E o jornal inglês The Guardian a colocou no primeiro lugar entre as cem pessoas que mais contribuíram para a defesa do meio ambiente em todos os tempos.

Verifica-se, portanto, que este livro inaugura uma fase importante na história ambiental, mudando para sempre o curso desta. Abriu caminho para discussões importantíssimas no cenário ambiental mundial: após dez anos de publicação de Primavera Silenciosa, acontecia a Conferência de Estocolmo, um dos principais encontros de líderes mundiais para discutir, de maneira formal, a problemática ambiental: Poluição por Agrotóxicos, como tema planetário.

Assim, diante do regaste à obra de Rachel feita neste texto, podemos à partir de agora lançar um novo olhar sobre o o dia 11/01, não permitindo que ele passe despercebido, principalmente para aqueles que, assim como a Âmbito, tem como propósito maior provocar comportamentos, verdadeiramente, sustentáveis.

A bandeira foi erguida há tempos atrás, cabe a nós continuar a fazer com que ela continue hasteada como lembrança que a luta pelo meio ambiente equilibrado ainda está longe de ser vencida.

Fonte: avozdaprimavera.blogspot.com.br

Bibliografia:

SERPA, Flávio de Carvalho. Primavera Silenciosa – Como a bióloga marinha Rachel Carson despertou a consciência ambiental planetária. Acesso em 09.01.2017. Disponível em planetasustentavel.abril.com.br

Iracema da Silva Padovani, Sócia – Advogada, Educadora Ambiental e responsável pela área de Comunicação e pela área de Gestão do Desenvolvimento Humano da Âmbito.