A Justiça Social, se é cega, não é justa; se só vê o que quer, também não é

Não é decretar que o pobre e fraco é honesto e bom e que o abastado é mau ou desonesto. Nem o contrário.

Não é punir criminosos pequenos e proteger os grandes. Nem o contrário.

Não é polícia para os fracos e política para os fortes.

Não é perseguir inimigos políticos e proteger os “amigos”.

Não é passar por cima de garantias fundamentais jogando para a plateia sedenta de sangue – inimigo.

Não é tratar sempre de forma igual situações essencialmente desiguais. Nem fingir que todos são iguais ou estão em condições iguais.

Não é tapar o nariz para a sujeira dos nossos e atacar odiosamente a “deles”.

Não é atribuir apenas às condições externas a razão do comportamento de quem se desvirtua, falha ou desiste, mas também não é ignorar que elas existem e jogam seu papel.

Não é discriminar alguém que foi beneficiado por uma medida protetiva, nem é tratar o beneficiado como coitado sempre. Não é suprimir liberdades em nome de uma suposta igualdade. Mas também não é fingir uma igualdade que na verdade escraviza.

Não é fingir que as oportunidades são iguais quando não são, e também não é pretender uma igualdade absoluta rigorosamente impossível, mais ainda indesejável. Mas também não é promover desigualdades humilhantes e cerceadoras da dignidade do ser.

A Justiça Social, se é cega, não é justa; se só vê o que quer, também não é. Não pode ser, se somos “nós contra eles”. Não pode ser, se é “cada um por si”. Precisa de instituições limpas ocupadas por indivíduos responsáveis por si e livres de ódio patológico motivado por preconceitos. Precisa de gente com senso de comunidade – valores comuns, visão comum, etc. – capaz de nortear decisões a cada momento, sem viés pré-definido. Ela, a Justiça Social, ora parecerá meio injusta, ora mais justa, porque sabe que a sociedade não se pinta em “preto e branco” – tem muito mais que cinquenta tons de cinza e é multicolorida. Nem sequer pretende ser justa para todos o tempo todo, porque sabe ser impossível.

A Justiça Social, não é justo que seja conhecida antes que fale a realidade complexa, multifacetada, mutante e dinâmica, que não aceita rótulos simples e soluções fáceis.

Marcelo Eduardo de Souza, fundador e Líder da Âmbito Homem & Ambiente (desde 1994) e da EcoNoética Educação e Desenvolvimento (www.econoetica.com.br). Vê os líderes e empreendedores como vitais para criar um mundo sustentado em valores éticos, contribuição e inovação. A partir de sua experiência e formação, vem conduzindo programas práticos de mudança pessoal e organizacional baseados em “Integral Coaching”e Educação.