5 DICAS PARA CRIAR UM PROPÓSITO INSPIRADOR

Sem entrar em polêmicas a respeito da imprecisão em torno dos termos “visão”, “missão” e “propósito” organizacional, deixo claro que os termos “propósito” e “missão” são intercambiáveis. Prefiro propósito, inclusive.

O propósito responde à pergunta: “para que existimos como organização”? Embora a resposta pareça fácil, não é.

Empreendedores de organizações “com fins lucrativos”, em geral, pensam que suas empresas existem “para ganhar dinheiro”, ou “para crescer”, ou “para superar a concorrência”. Ninguém duvida que existem para gerar lucros.

Não se pode questionar a importância do “ganhar dinheiro”, ou do lucro. Ele é vital, e não só em empresas. E é vital justamente porque toda a vida, em seu desenvolvimento, não pode prescindir de “excessos utilizáveis”, nem resistir a situações adversas ocasionais, sem gerar excedentes. Não há organização que possa se desenvolver sem excedentes, simplesmente porque não há como estagnar as expectativas de saída de recursos, via pagamentos a sócios, colaboradores, fornecedores, governos, etc. E há a inadimplência, quando a empresa trabalha, paga tributos e… não recebe. Sem excedentes que suportem períodos em que paga e não recebe, fica difícil. Se a empresa não tiver lucro, ela vai quebrar. Simples assim.

Identifique as suas motivações

Uma das formas valiosas de se falar do lucro é através de sua similaridade ao sangue: embora o corpo não exista apenas para formar o sangue, se este não estiver presente…

A questão é: seria a produção de sangue o propósito do organismo? Seria a geração de lucro o propósito de uma empresa? Seria ele a verdadeira razão de existir daquela empresa? Muitos empreendedores, se pararem para pensar bem em quando criaram suas empresas – olhando seus talentos, olhando oportunidades e necessidades, olhando tendências – dificilmente concordariam com isto, por incrível que pareça. Sim, porque as pessoas não conseguem criar algo com o que não se conectam intimamente. O empreendedor é alguém que inicia negócios a partir de uma identificação, uma conexão que ele tem com o objeto de seu negócio. O empreendedor tem seu negócio “na veia”, ou ele não será um empreendedor com a persistência necessária para desenvolver o negócio através das inúmeras dificuldades que os negócios costumam enfrentar.

Conheça o seu mercado e o conecte ao seu talento

Não é só a seu talento que um empreendedor se conecta. Ele se conecta com aquilo que o mercado – pessoas reais – querem. Ele olha para as necessidades que ele consegue perceber no mercado e as conecta com os seus talentos. A pergunta “para que existe a organização” é muito afim à pergunta “para quem é a organização”. Isto porque os tipos de pessoas, ou necessidades de pessoas, que um negócio atende determinam aspectos reais e concretos do negócio (como ele será; o que o negócio fará e, portanto, a “cara” dele). E as características reais dos negócios, por sua vez, guardam relação com os talentos, as competências fundamentais, do negócio, que muitas vezes se encontram nos próprios empreendedores quando estes iniciam o negócio.

Tenha/Defenda uma causa

Não sendo o lucro, ou o crescimento, muito menos a superação de concorrentes, propósito que possa animar (anima remete a alma) uma organização, especialmente porque em todos esses casos há uma tendência de ver clientes, fornecedores e equipes (pessoas) como “detalhes”, “meios” ou “números”-, o que poderia ser, então?

A noção de contribuição a alguém, a algum tipo de pessoas, a algum grupo de necessidades, surge como uma possibilidade bastante promissora. Seria como pensar que uma empresa ou outra organização existem para atender a seus clientes, a seu público alvo. Atender aos clientes, ou ao público alvo, são facetas essenciais de qualquer organização que tenha alguma clareza do que quer realizar no mundo, disto não há dúvida. Porém, não é difícil perceber que atendendo a um determinado público, diferentes organizações podem almejar coisas diferentes.

Se inspire e inspire os outros

O propósito ou missão da organização tem mais a ver com uma finalidade maior, uma “estrela-guia” ou uma “super bússola” que permite que a organização navegue os mares das mudanças, transformações, desafios, sucessos e insucessos sem perder seu norte. Assim, se uma empresa pretende, por exemplo, transformar um mercado, ou mudar a forma como as pessoas se comunicam, ou se relacionam consigo ou com o meio ambiente – em todos esses casos, o propósito ou missão são algo enorme, algo virtualmente inatingível, mas que na prática segue todos os dias inspirando as pessoas a continuar seu trabalho. Inspiração: está aí uma palavra que descreve bem o que o propósito da organização deve trazer às suas equipes e mesmo a seus clientes.

Seja claro nas intenções e nas palavras

Na liderança, é preciso buscar a maestria de manter os olhos e o coração conectados a um grande propósito, mas ao mesmo tempo, manter os pés no chão, ter senso prático. Se você é uma / um líder visionário, um (a) empreendedor (a), tenha sempre em mente que o propósito precisa ser compreendido pelas pessoas. Não pode ser incompreensível. Precisa ser descrito em linguagem acessível, não diria para todos necessariamente, mas pelo menos para a massa crítica principal de colaboradores que se identificam mais com a empresa e com o que ela busca trazer ao mundo. Seja um tradutor de sonhos em linguagem que as pessoas compreendam.

Com essas dicas você conseguirá ampliar a sua percepção sobre criação de propósitos que inspiram. Agora, se você gostou deste assunto e tem o desejo de investir em seu desenvolvimento profissional e pessoal conheça o Coach Marcelo Souza.

Marcelo Eduardo de Souza, fundador e Líder da Âmbito Homem & Ambiente desde 1994. Vê os empreendedores como vitais para criar um mundo sustentado em valores éticos, contribuição e inovação. A partir de sua experiência e formação, vem desenvolvendo programas práticos de mudança pessoal e organizacional baseados em “Integral Coaching”e Educação.