25 de Março – Dia da Constituição

PEQUENA REFLEXÃO NO DIA DA CONSTITUIÇÃO

“Porque morto o espírito da Constituição, morta está a sociedade livre, único canteiro capaz de fazer florescer toda a beleza do Humano”.

Já foi dito que se quisermos saber mais sobre alguém, baste dar-lhe poder, e assim, sentindo-se livre de limitações e acima de julgamentos, aquela pessoa ficará à vontade para mostrar aspectos menos felizes de sua maneira de ser: crenças sobre si, sobre outras pessoas e sobre o mundo capazes de se traduzir em comportamentos autoritários, violentos, dissimuladores da verdade, aristocráticos, esnobes – e muito mais. Para tal pessoa, o “termômetro” de sua “importância” não poderia ser muito diverso de “me respeitaram? ”; “eu fiz o que quis? ” e similares.

Assim é no varejo, assim é no atacado. Assim é com pessoas comuns, assim é com governantes.

Admitindo-se que o que se chama civilização fincou raízes ao redor de 7.000 ou 8.000 anos a.C., foram necessárias muitas, muitas e muitas gerações de pessoas para que a ideia do que significa ser uma pessoa digna de respeito enquanto tal, e não por riqueza, origem, etc. – pudesse ser ao menos concebida. Nessa dura e penosa caminhada, um sem-número de vidas humanas tombaram vítimas de toda espécie de governos autoritários, tiranos, oligárquicos e monárquicos. Engana-se quem procura algum Éden no passado, porque ele nunca existiu entre os homens. Se existir um dia, será construído.

A Pedra Angular da construção de qualquer sociedade razoavelmente justa é a consideração do valor intrínseco de cada indivíduo. Indivíduos maduros e conscientes aprenderão que a dimensão coletiva – que os contém e transcende – precisa também ser cuidada.

E o marco histórico fundante, garantidor da dignidade, da igualdade perante a lei, da proteção contra o arbítrio, foi a Constituição. Antes dela, nenhum documento reconheceu a todos sua dignidade essencial. Sem ela, ao arrepio dela ou à margem dela vicejam pretensões autoritárias travestidas de heroísmo, messianismo, igualitarismo e tantos tipos de ilusões vendidas aos incautos ou inocentes.

Em tempos de supostos heróis nacionais que ignoram a Constituição para deleite de plateias sedentas do sangue do “outro time” e de anti-heróis a “trumpetear” bravatas pelo mundo, importa ter muita atenção. Porque morto o espírito da Constituição, morta está a sociedade livre, único canteiro capaz de fazer florescer toda a beleza do Humano.

Marcelo Eduardo de Souza, fundador e Líder da Âmbito Homem & Ambiente (desde 1994) e da EcoNoética Educação e Desenvolvimento (www.econoetica.com.br). Vê os líderes e empreendedores como vitais para criar um mundo sustentado em valores éticos, contribuição e inovação. A partir de sua experiência e formação, vem conduzindo programas práticos de mudança pessoal e organizacional baseados em “Integral Coaching”e Educação.